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Marçal Acessórios

O título conquistado de madrugada

O empate no tempo normal bastava para transformar o Sport Club do Recife no campeão pernambucano de 1977. O então técnico rubro-negro Énio Andrade tinha planos mais imediatos: Jogar mais ofensivamente e decidir logo. Uma prorrogação seria muito arriscado. Os fatos contrariaram as expectativas e a disputa pelo título contra o Náutico somou mais de 140 minutos de jogos. Ou seja, tempo normal e mais duas prorrogações. O que o público assitiu foi uma verdadeira batalha, com desmaios e desidratação de jogadores, resultando literalmente nem dos mais suados compeonatados da história do futebol de Pernambuco.

PÊNALTI MUDA O ESQUEMA - Quase 40 mil torcedores acompanharam a verdadeira batalha travada pelo Sport contra o Náutico pelo título pernambucano de 1977. O palco foi o Estádio do Arruda. Um apartida que varou a madrugada do dia 14 de outubro daquele ano. Énio Andrade passou a orientação para o time não jogar na retranca. Mas aos seis minutos de jogo a tática foi mudade. Isso porque o zagueiro Djalma, do Sort, cortou com a mão um lançamento preciso para a sua área. Em intantes, o apoiador alvirrubro Drailton converteu a penalidade para o Náutico, inaugurando o placar. O fatonovo levou a galera alvirrubra ao delírio e a rubro-negra - que já esperava pelo carnaval da vitória - ao desepero. Estava assim iniciada a batalha pelo título, enchendo jogadores do Náutico de esperanças. Mas o tempo restante de jogo que o Náutico dispunha, para ampliar o escore e assegurar o título, não foi bem aproveitado. O placar do tempo normal permaneceu em 1x0. Os rubro-negros seguraram o placar, jogaram precavidos, mais atrás, porque mesmo a derrota por diferença mínima ainda levava o jogo para uma prorrogação.

FINAL DRAMÁTICO - Os trinta minutos de prorrogação não mudaram o placar, o que implicou numa nova prorrogação de mais trinta minutos. Os jogadores estavam extenuados. Os do Sport pelo asforço de segurar o resultado, submetidos a uma tremenda pressão do Náutico, uma equipe que nos últimos jogos vinha em ascensão vertiginosa e, além disso, apanhados de surpresa pelo gol inesperado. Os alvirrubros exaustos pelo ritmo alucinante que impuseram ao jogo. O cansaço era tanto que nem sequer conseguiam enxergar direito a bola. O Náutico, que enfrentaria no dia seguinte uma disputa pelo brasileiro, teria que administrar o esgotamento físico de seus jogadores, a exemplo de Clésio, que perdeu quase 6Kg e desmaiou, além de Marquinhos, que se desidratou. Mauro foi o redentor do Sport. Num cruzamento da esquerda, o jogador , sempre atento na área alvirrubra, tocou a bola para as redes do goleiro Tonho. A área estava cheia de zagueiros, mas, exaustos, eles não tiveram condições de cortar o arremate fraco, que nem chegou a tocar nas redes, apenas ultrapassou a linha e rolou mansa para o fundo da meta timbu, provocando a explosão da galera rubro-negra. O Sport Club do Recife ganhou a batalho e o título com o seguinte time: Gilberto, Cardoso, Samuel, Djalma e Nelsinho; Cacau (Tovar) e Mauro; Hamilton (Roberto), Totonho, Pita e Darci. Este títuloficou na história pela decisão dramática. Os jogadores já haviam entrado num acordo: se na segunda prorrogação não houvesse um vencedor, eles deixariam o campo e a FPF (Federação Pernambucana de Futebol) teria de proclamar dois campeões. Mas ao se marcar um gol o jogo estaria encerrado e quem o marcasse seria o campeão. O título rubro-negro nasceu de uma providência e um acidente: Énio Andrade substituiu dois (Hamilton Rocha por Roberto e Cacau por Tovar), o que deu sangue novo e mais gás ao time. A bola cruzada com força já ia saindo depois de cruzar toda a área. Totonho num último esforço cabeceou para trás e Mauro tocou para as redes.

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