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Opiniões de Gustavo Paes

Gol de Enílton

Sou fã de Paolo di Canio. Não pelo futebol dele, que eu acompanhei pouco. E muito menos pelos gestos facistas que ele já fez. Mas sim por um único lance. Conhecido pela atitude Bad Boy, o italiano ganhou o prêmio Fair Play da Fifa, quando segurou a bola com as mão quando viu o goleiro adversário no chão. Era uma chance clara de gol e Di Canio, na época jogador do West Ham da Inglaterra, preferiu não marcar, segurou a bola e pediu atendimento para o guarda-metas.

Lembrando desse gol, já estava pronto para criticar duramente o atacante Enílton do Sport. Mesmo com o jogador do Serrano no chão, ele continuou o lance, praticamente passando por cima do adversário e marcou o gol. Fiquei furioso. Estava pronto para comprar uma guerra com os torcedores que poderiam dizer “que nada, o importante é o gol”, pois para mim não funciona assim.

Mas após ver o replay do lance, mudei totalmente de opnião. O gol foi uma lição para um certo tipo de jogador. Zagueiros que provocam, puxam, ofendem atletas e depois se fazem de santo. Já havia acontecido com Leandro Machado no primeiro tempo, quando foi seguro pela camisa de forma vergonhosa, algo irritante para o futebol.

Por mais que Carlinhos Bala tenha encostado no jogador do Serrano, a simulação foi rídicula. Passar mais de um minuto no chão… Patético! Queria forçar a expulsão do atacante e conseguiu. Mesmo com uma atuação que não ganharia nem o Urso de Ouro em Berlim.

Não sei se Enílton realmente tinha a noção da palhaçada do jogador do Serrano e por isso continuou com o lance. Sinceramente espero que sim. Para o zagueirão, bem feito!

Vôlei Feminino fez história

O roteiro: um time de jovens atletas se reúne para disputar a Superliga Feminina de Vôlei, competição mais importante da modalidade. Nenhuma equipe do Nordeste havia participado da Superliga antes. O Sport/Maurício de Nassau nunca teve um time a sua altura na região, e conquistou uma merecida hegemonia nos torneios. Mas era hora de dar um gigantesco passo à frente: encarar a nata do vôlei nacional (o vôlei mais forte do mundo), enfrentando times com alto investimento e jogadoras da Seleção Brasileira.

E o Sport, tão acostumado a vencer, se viu perdendo partidas e mais partidas em sequência. A realidade começou a se tornar dura com as rubro-negras. As críticas vieram, sem ter piedade das meninas que já haviam superado tantos limites e já faziam história só por chegar ao torneio. Mas o esporte de alto rendimento é assim, não existe piedade, não existe análise de contexto. Existem vitórias e derrotas.

Ontem, em mais um jogo pela Superliga, o Sport enfrentou o Brasil/Telecom, segundo melhor time do torneio até então. Time da ponta Érika, da Seleção Brasileira. Não iria ser contra um time deste nível que as leoninas iriam conseguir sua primeira vitória…

Quem disse?

Vamos continuar falando de chances. A expressão “medalha” é utilizada no vôlei para dizer que um defensora foi atingida no peito pela atacante. Em 90% dos casos é bola no chão. É o momento de triunfo, de humilhação, de sobrepuja sobre o adversário. No terceiro set do jogo de ontem, a líbero Flavinha recebeu duas medalhas no mesmo ponto. E contrariando as possibilidades, ela manteve a bola em jogo nas duas vezes e o Sport venceu o ponto. A partir daquele momento ela não errou mais.

As jogadas de Flavinha podem ser comparadas a todo o campeonato da equipe. No torneio, o Sport desabou sempre que levou uma pancada. Naquele momento Flavinha “disse” ao time: A gente pode levar pancada, mas vamos continuar colocando a bola em jogo, sempre.

O que se viu dali em diante foi uma reviravolta digna de filmes hollywodianos. Os jornalistas, a torcida, todos já esperavam por mais uma derrota. Eles não acreditavam no que estavam vendo. Mas as jogadoras começaram a acreditar e de repente os limites se expandiram.

As humilhadas seriam exaltadas. Cada ataque do Leão era um misto de fúria e alegria. A cada bloqueio, o olhares das jogadoras se cruzavam, elas sabiam o que estava acontecendo. De relance, vislumbraram o futuro. A vitória.

Mas havia um último desafio: o tie-break. O Brasil/Telecom voltou a ficar na frente do placar, depois de dois sets correndo atrás do Sport. Matchpoint para as catarinenses. Ninguém vai saber ao certo o que se passou na cabeça das jogadoras. Podem ter sido mil pensamentos diferentes, mas o que prevaleceu foi a “frase” de Flavinha. A bola não ia cair mais.

O Sport conseguiu virar. Para terminar uma amostra de talento e improvisação. O passe veio quebrado e parecia que o Sport apenas passaria a bola para a quadra do adversário, mas a oposto Tita achou um buraco no meio da atordoada defesa do Brasil/Telecom, que sem entender de onde vinha toda aquela mistura de ímpeto e sutileza, assistiu a bola tocar no solo.

A partir dali os profissionais que trabalhavam na partida não eram mais profissionais, eram torcedores. E os torcedores eu não sei mais o que eram.

Não era uma final de campeonato. Mas foi um momento surreal na vida de quem assistia e de quem jogava. As almas das jogadoras se encaixaram e o coração das atletas parecia bater no mesmo ritmo. Os sorrisos carismáticos eram sincronizados, assim como as jogadas de ataque. O jogo perfeito.

Os olhos marejados de uma colega jornalista me deram a certeza de que o que eu senti naquele momento foi compartilhado por todos os presentes. Ainda bem.

Os cinco momentos mais emocionantes

Vamos falar agora sobre os momentos mais especiais da temporada 2008. Vale tudo, gols, celebrações, jogos, etc.

Só tem graça fazer uma lista como essa se o leitor participar, concordando, discordando, então fique a vontade para participar na área de comentários.

1° lugar: Cazá Cazá puxado por Homero Lacerda, na celebração dos 20 anos da conquista do Campeonato Brasileiro de 1987. Vai demorar para o grito de guerra ser repetido com tamanha intensidade.

2° lugar: Sport entra em campo para o primeiro jogo do retorno ao Campeonato Brasileiro da primeira divisão. O Santos não fez nem sombra.

3° lugar: Gol de Fumagali contra o Santos, na estréia do Brasileirão. Parecia que já estava escrito, nunca vi uma torcida com tanta certeza de um gol em cobrança de falta.

4° lugar: Sport vence Palmeiras fora de casa. Naquela altura da Série A, uma vitória fora de casa, da maneira que foi, trouxe a moral necessária para que o time conseguisse se manter na primeirona.

5° lugar: Sport anuncia a compra do terreno para a construção do Centro de Treinamento. Não só pela notícia (uma das mais importantes dos últimos anos para o Leão), mas pela apuração da notícia, ao escutar a voz emocionada de Milton Bivar falando sobre a aquisição.

E para vocês, quais foram os momentos mais emocionantes? Deixem nos comentários, participem!

Imprensa, especulações…

Vejo que muitas pessoas estão reclamando das notícias que são veiculadas pela imprensa, com relação a contratações. Especulações pipocam todo dia nos meios de comunicação, com poucas informações concretas.

Não é o caso do meuSport.com, pois logo que fui contratado, fui orientado a não trabalhar com nada que não tenha sido dito por um representante do Leão. Aqui não cometemos ainda nenhum gafe com relação a contratações.

Quando Sandro Goiano foi dado como certo, fizemos questão de ressaltar que o contrato não estava assinado. Só hoje ele assinou.

Enquanto eram especulados dois ou três nomes de próvaveis zagueiros contratados, o meuSport.com anunciou que o Sport estava perto de fechar com um zagueiro. Um diretor me disse que não queria falar em nomes, então não falamos em nomes. Surgiu Pereira.

No caso de Ruy, afirmamos que a diretoria tinha interesse no atleta. Isso foi confirmado por um dirigente, que disse que já havia encaminhado a proposta ao jogador.

Vejo que várias pessoas no fórum ficam revoltadas com os orgãos de imprensa, pois esses estariam atrapalhando as negociações do Sport, gerando concorrência com outros times que começariam a assediar os atletas desejados pelo Leão.

Não se iludam. Boa parte dessas especulações são criadas pelo próprio Sport. E não, não é por pessoas que queiram prejudicar ou sabotar contratações.

Isso se chama trabalhar a marca do time, o tempo não para durante as férias, e o capital que envolve o futebol pede que uma equipe profissional esteja sempre em evidência na mídia. Não estou aqui dizendo se é certo ou errado, estou apresentando os fatos e vocês julgam.

Se o Sport for divulgar apenas notícias no dia da assinatura de contrato, teriamos quase vinte dias só com Daniel Paulista e Sandro Goiano. E a marca Sport? Ficaria sem exposição durante todo esse tempo?

Falam como se a imprensa fossem parasitas, que estão ali para derrubar o time, generalizando todos os profissionais que trabalham nela. Claro, como em todos os meios, existe uma banda podre.

Mas é preciso deixar claro que existe toda uma relação com a diretoria do clube, uma balança cujo equílibrio é delicado. A imprensa precisa do Sport e o Sport precisa da imprensa. É necessário girar as informações a todo momento, todos tem que aparecer e trabalhar nessa relação de interdependência.

Como já disse, não estou afirmando que isso é certo ou errado, acho que é apenas uma mudança de mentalidade, com a mídia tendo um papel cada vez maior no futebol. É apenas mais um retrato de como caminha a sociedade. Mas isso já uma outra história.

Os cinco gols mais bonitos

Pegando o gancho do trabalho iniciado com Walleys. A minha lista de gols não tem nenhuma regra definida para avaliação. É questão de gosto e todos sabem que cada um tem os seus preferidos. Por favor, vocês podem e devem ajudar, postando nos comentários a sua lista de gols preferidos.

1° lugar
Weldon, numa arrancada no melhor estilo Kaká, contra o Corinthians. O jogo foi na Ilha do Retiro, válido pelo primeiro turno. Se Weldon não tivesse tantos apagões…é um dos potenciais mais disperdiçados que eu vi no ataque do Sport nos últimos anos.

2° lugar
Carlinhos Bala, de vôleio, contra o Botafogo. Seria um empate técnico com o de Weldon, se depois não vinhesse a ducha de água fria com o empate.

3° lugar
Fumagali, em cobrança de falta, contra o Santos. Seria só mais um gol de falta de Fumagali, se o momento não tivesse sido tão intenso. Era o primeiro jogo do Sport no Brasileirão, dia do aniversário do clube. Fumagali marca o gol da virada.

4° lugar
Adriano Gabiru, pegando de primeira, contra o Cruzeiro. No último jogo do Leão em casa, Gabiru resolveu mostrar serviço. Saindo do banco de reservas, ele acertou um chute difícilimo, após um cruzamento ousado de Bala.

5° lugar
Anderson Aquino, contra o Goiás. Esse gol só entra por conta da jogada completa. Anderson fez tudo. Roubou a bola no próprio campo, avançou em velocidade. Depois deu um bom passe e correu para receber de volta. Chutaço de fora da área!

Existe vida após Homero?

A resposta é simples. Claro que sim. Mas todo cuidado é pouco, pois a saída do de Homero Lacerda pode desencadear uma série de fatores que, mal administrados, podem novamente colocar o Leão fora dos trilhos.

Homero gosta de centralizar poder. Essa sempre foi sua característica mais marcante. . Todos o procuram quando querem saber o que acontece com “tal jogador” contratado que não rende, ou sobre a renovação do treinador, ou as contratações para a próxima temporada.

Sem Lacerda, o Sport formou um colegiado para comandar o futebol do Clube. Guilherme Beltrão, Gustavo Dubeux (retornando a Ilha), José Roberto Moura, Severino Otávio (Branquinho), Álvaro Figueira e Manoel Costa (Costinha). Beltrão deve comandar o grupo, apesar de ter informado que não vai ter o título de vice-presidente de futebol.

Dizem que várias cabeças pensam melhor que uma. Isso não é garantia. Se não houver uma sintonia entre os diretores podem acontecer vários problemas. Os jogadores gostam de saber quem procurar na hora dos problemas ou quando surge uma proposta. Os treinadores idem.

Quando pensei em colegiado comandando o futebol, a primeira lembrança que me veio a cabeça foi o Corinthians de 2004. Não é uma boa lembrança. Andrés Sanches (atual presidente do clube paulista) e Rivelino eram os nomes mais representativos do grupo. Houve uma total falta de coerência nas contratações. Cada diretor trazia um ou dois jogadores, sem nenhum critério. Sobravam jogadores em uma determinada posição e faltavam em outras. O Corinthians quase foi rebaixado no Campeonato Paulista daquele ano.

Espero que cada integrante do colegiado entenda e represente o seu papel. As contratações devem ser discutidas por todos. Parece primário, mas na prática esses equívocos sempre acontecem.

Os campeões da Bola de Prata

Aconteceu hoje a cerimônia de premiação mais tradicional do futebol brasileiro. A Bola de Prata da revista Placar. O nosso estado foi representado pelo volante Hernanes, jogador do campeão São Paulo, e por Acosta, atacante do Náutico. Thiago Neves, do Fluminense, foi eleito o melhor jogador do Campeonato, recebendo assim a Bola de Ouro.

Confira a lista:

Goleiro: Rogério Ceni (São Paulo)

Zagueiros: Breno (São Paulo) e Thiago Silva (Fluminense)

Laterais: Leonardo Moura (Flamengo) e Kléber (Santos)

Volantes: Hernanes (São Paulo) e Richarlyson (São Paulo)

Meias: Thiago Neves (Fluminense) e Valdivia (Palmeiras)

Atacantes: Acosta (Náutico) e Leandro Amaral (Vasco)

Artilheiro do Campeonato: Josiel (Paraná)
Chuteira de Ouro (Artilheiro do ano): Dodô (Botafogo)

E você, o que achou das escolhas da Placar?

Geninho renova?

Durante a última coletiva antes do jogo contra o Juventude, Geninho afirmou que deve tomar sua decisão na próxima semana. O treinador pode estar adiantando sua decisão, já que ele pretendia anunciar se ficava ou não no Sport apenas no dia 10 de dezembro. Vou dissecar aqui as três situações que passam na cabeça de Geninho, baseado nas declarações do próprio técnico.

São três possibilidades:

1) Geninho se transfere para o exterior:

O que é atrativo?

Geninho já disse que é preciso muita grana para deixar o Brasil novamente. Isso se o time em questão for de um mercado sem tradição no futebol, como Emirados e Japão. Caso exista um proposta de um bom centro, como Espanha e Portugal, a negociação passa a ser outra.

O que há de concreto?

Muito pouco. Geninho disse que recebe ligações de empresários. Sondagens não faltam. Mas ele mesmo disse que cansou de conversa. “Mandem o contrato, vocês tem o número do meu fax”, é o que Geninho anda dizendo para os empresários. E até agora nada apareceu. “Nos países de oriente eles podem lhe dar um milhão, mas deixam de dar 10 dólares se não estiver no papel”, afirmou.

Chances de acontecer?

Se aparecer uma proposta real (se mandarem o tal fax), são ótimas.

2) Geninho vai para um clube do Sul-Sudeste:

O que é atrativo?

Entrar no Campeonato Brasileiro de 2008 para disputar o título. Um salário provavelmente um pouco maior. Voltar a ter a ter a antiga visibilidade, dos tempos de Corinthians e de Atlético/PR, quando foi campeão.

O que há de concreto?

Absolutamente nada. Sondagens foram feitas no passado, pelos presidentes de Flamengo e Atlético/PR. Os dois times encontraram bons treinadores e subirarm de produção. Geninho não conversou mais com ninguém do Brasil, já que, como ele mesmo diz, não negocia com clubes que tem treinadores empregados. No Grêmio, saiu Mano Menezes. Mas o técnico leonino afirmou que não recebeu nenhuma ligação.

Chances de acontecer?

Pequenas. A maioria dos clubes que vão terminar o campeonato na frente do Sport devem manter os treinadores. Apenas o Grêmio ficou sem técnico. Existe alguma chance que isso ocorra no Cruzeiro (chance média) e Palmeiras (poucas chances). Só vai fugir disso se algum treinador receber uma proposta milionária do exterior.

3) Permanece no Sport

O que é atrativo?

Geninho se adaptou a cidade. Disse que fez bons amigos e teve poucos problemas com a torcida. Tem um bom relacionamento com a diretoria do Sport, que honrou todos os compromissos com o treinador. A chance de dar continuidade a um trabalho que pode render bons frutos no ano que vem.

O que há de concreto?

Aos poucos diretoria e treinador estão se entendendo. O Sport deve fazer um sacríficio extra e oferecer um aumento de 50% no salário de Geninho. O interesse de permanecer com o treinador já foi dado como prioridade para Milton Bivar e Homero Lacerda.

Chances de acontecer?

Razoáveis. O treinador se sente prestigiado dentro do clube. Para sair, a proposta tem que ser boa.

Gustavo Paes

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