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Arquivo de fevereiro, 2008

Gol de Enílton

Sou fã de Paolo di Canio. Não pelo futebol dele, que eu acompanhei pouco. E muito menos pelos gestos facistas que ele já fez. Mas sim por um único lance. Conhecido pela atitude Bad Boy, o italiano ganhou o prêmio Fair Play da Fifa, quando segurou a bola com as mão quando viu o goleiro adversário no chão. Era uma chance clara de gol e Di Canio, na época jogador do West Ham da Inglaterra, preferiu não marcar, segurou a bola e pediu atendimento para o guarda-metas.

Lembrando desse gol, já estava pronto para criticar duramente o atacante Enílton do Sport. Mesmo com o jogador do Serrano no chão, ele continuou o lance, praticamente passando por cima do adversário e marcou o gol. Fiquei furioso. Estava pronto para comprar uma guerra com os torcedores que poderiam dizer “que nada, o importante é o gol”, pois para mim não funciona assim.

Mas após ver o replay do lance, mudei totalmente de opnião. O gol foi uma lição para um certo tipo de jogador. Zagueiros que provocam, puxam, ofendem atletas e depois se fazem de santo. Já havia acontecido com Leandro Machado no primeiro tempo, quando foi seguro pela camisa de forma vergonhosa, algo irritante para o futebol.

Por mais que Carlinhos Bala tenha encostado no jogador do Serrano, a simulação foi rídicula. Passar mais de um minuto no chão… Patético! Queria forçar a expulsão do atacante e conseguiu. Mesmo com uma atuação que não ganharia nem o Urso de Ouro em Berlim.

Não sei se Enílton realmente tinha a noção da palhaçada do jogador do Serrano e por isso continuou com o lance. Sinceramente espero que sim. Para o zagueirão, bem feito!

Relembrando: O título de 1987 - parte 3

Bem, todos já conhecem e estão cansados de ouvir falar da história do cruzamento entre módulos que não ocorreu. O que poucos não sabem, e o que o Clube dos Treze não cita, é que na criação do Módulo Verde, os seus organizadores não tinham intenção de classificar times para a disputa da Libertadores. A frase de Gilberto Medeiros, presidente do C-13 na época, ilustra bem essa situação: “Preferimos jogar o Tereza Herrera na Espanha, onde jogaremos contra os grandes da Europa e cada time recebe algo em torno de 200 mil dólares por jogo.”.

O detalhe é que não só o campeão e vice do módulo verde (Flamento e Inter) não disputaram a Copa Libertadores, como também não foram convidados a disputar o Tereza Herrera (que naquele ano foi disputado por Atlético De Madri, Liverpool, PSV e Real Sociedad). Melhor para Sport e Guarani, que se classificaram automaticamente para a Copa Libertadores.

Por último: Após o fim da decisão do módulo amarelo, os jogadores e Emerson Leão sairam de férias. Leão decidiu que não continuaria no Sport, já que seu contrato se encerraria no dia 31 de Janeiro e ele vinha recebendo convites de vários clubes. Disse ainda que indicaria outro treinador de sua confiança para assumir após o cruzamento dos módulos.

E adivinhem com quem o Sport acertou as bases salariais? Luiz Felipe Scolari.
Que acabou não ficando por aqui, por que queria preparar o time para o ano de 88 e a chance de jogar o cruzamento decisivo, algo que Leão não permitiu. Então, Felipão acabou desistindo da idéia de trabalhar no Sport. Para a surpresa de todos, quem acabou debandando mais tarde foi o próprio Leão, que havia aceitado uma proposta irrecusável do Coritiba.

E sem Leão e nem Felipão, foi chamado Jair Picerni, que dirigiu o Sport nos dois jogos contra o Guarani, e fomos campeões. Sendo assim, acertou a pergunta da semana passada quem respondeu a letra “b” - Luiz Felipe Scolari.

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Foto da página do Diário de Pernambuco, noticiando o acerto com Luiz Felipe - Arquivo Público de Pernambuco

Para finalizar e ir entrando no clima da Copa do Brasil, vai aí mais uma pergunta:
Em 1989, o Sport decidiu o título da referida Copa contra o Grêmio, alcançando um questionado vice-campeonato. A pergunta é: Quem fez o gol do Sport naquela decisão?

a - Assis (contra)
b - Lopes
c - Mazarópi (contra)

Próxima semana traremos a trajetória do Leão na Copa do Brasil de 89, para esquentar a torcida para o jogo contra o Imperatriz-MA. Esperamos que este elenco leve a competição deste ano tão a sério quanto ela foi encarada em 89. Mas enfim… isso é história para a próxima semana!

Aproveitem esse espaço para sugestões, críticas, perguntas, acréscimos… Tudo que engrandecer a história rubro-negra será muito bem-vindo.

Então é isso… Um grande abraço e saudações rubro-negras!

Relembrando: O título de 1987 - parte 2

Retomando a história que contamos semana passada, falaremos hoje de alguns fatos que ocorreram no intervalo entre Dezembro de 87 e Fevereiro de 88, mês em que o Sport foi campeão brasileiro.

Em dezembro de 87, falar que havia um “regulamento” para o Módulo Amarelo era ser bondoso com a CBF. O caos era total. Por exemplo: para a final do Módulo Amarelo, o Sport entrava com vantagem contra o Guarani, pois havia feito melhor campanha. Bastava ganhar uma partida ou empatar as duas que seria campeão. No entanto, o Sport saiu atrás após perder em Campinas. Bastaria portanto, vencer o Guarani por um placar simples e sairiamos campeões.

Na SEMANA do confronto final (após pressões de Castor de Andrade - Diretor do Bangu - derrotado na semi-final pelo Sport), a CBF resolve que o Sport deveria não só ganhar no tempo normal, como também na prorrogação. Eram as forças de Castor, que participou de agressões contra o Sport em Moça Bonita e havia sofrido a retaliação aqui na Ilha. Pois bem, ganhamos por 3 a 0 e empatamos na prorrogação. Nos pênaltis, 11×11; e Homero decide dividir o título.

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Na foto, Neco disputando a bola na semi-final contra o Bangu

Pois bem, esse mesmo Castor de Andrade - Diretor do Bangu, dirigente da Mocidade (escola de samba) e conhecido bicheiro carioca, fez da sede da CBF um verdadeiro ringue de boxe na semana que antecedeu a final do Módulo Amarelo.

Isso ocorreu porque Fred Oliveira (presidente da FPF) foi representar o Sport numa reunião na entidade, e foi recebido por 17 seguranças de Castor (acabou sendo agredido por socos e pontapés por 6 deles). Castor ainda teve a cara de pau de chegar depois na sede e perguntar cinicamente o que havia acontecido. Foi o estopim para Fred, que a partir daí fez da Federação Pernambucana uma forte aliada em prol dos direitos do Sport.

Ainda nesta semana, Márcio Braga - Presidente do Flamengo - em entrevista à Manchete, disse que seria um orgulho vencer o Inter no Beira-Rio, para receber a taça das mãos da “Bichona” que era o Presidente da F. Gaúcha de Futebol, Rubens Hoffmeister. Resultado: Dias depois, na sede da CBF, Hoffmeister teve de se reunir com Márcio Braga para resolver problemas sobre a final do módulo verde e o pau cantou. Márcio Braga levou um murro e alguns pontapés. “Só para se dar ao respeito”, saiu dizendo o gaúcho…

Revanche? Mas é claro que sim!

Não adianta ficarmos com conversa fiada de que o jogo contra o Serrano será mais uma partida como outra qualquer porque não será. O time de Serra Talhada foi o único que conseguiu vencer o Sport nesse pernambucano e a torcida rubro-negra está engasgada com aquela derrota.

Os próprios jogadores sentiram que faltaram mais garra e determinação no jogo do interior, e que poderiam ter rendido mais. Com certeza estão loucos pra devolver a derrota com juros e correção monetária. O jogo ganhou uma importância incrível no final desse primeiro turno e a vitória será fundamental para seguirmos fortes na caminhada do Tri-campeonato.

O rugido do Leão tem que ser mais alto do que um relinchar de um jumento. Jogo dificílimo, o Serrano mostrou que é uma das melhores equipes do certame, então barbas de molho e bola na rede!

Um comentário rápido sobre Adriano Gabiru: dois gols, e só. Muito pouco pra quem chegou com status de estrela. Uma estrela cadente, na verdade. Um jogador que não vai deixar saudades na Ilha. Aliás, ele não vai deixar nada, porque foi justamente nada que trouxe com ele quando veio pra cá. 

Charge: Procurado!

jumento_zebra.jpg 

O “jumento-zebra” é procurado. O Leão quer cobrar uma alta dívida…

Coice no leão

O resultado não foi o esperado, pra quem ao menos esperava um empate a derrota diante do Serrano foi decepcionante. Nos primeiros quarenta e cinco minutos de jogo, sentimos o time interiorano mais determinado na partida; o Sport só acordou no final do primeiro tempo. Acordou um pouco tarde, já estávamos perdendo pelo placar de 1×0.

Alguns jogadores renderam abaixo do esperado e o resultado não poderia ter sido outro exceto a derrota. Tivemos algum lampejo de bom futebol, mas depois desapareceram. Uma pressão aqui, outra pressão acolá. Leandro Machado ficou com medo da Serra e não correspondeu, teve as melhores chances de gols e não converteu. Faltou alguém lembrar que a Serra era Talhada e ele não precisava tremer tanto.

Últimas palavras para alguns destaques: destaques negativos! Igor nem de longe está parecendo o jogador que mostrou alguma coisa no ano passado. E Carlinhos Bala? Ele esqueceu que não basta apenas correr, tem que jogar bola também. Uma temporada no banco de reservas pode ajudá-lo a voltar a ser o Carlinhos Bala de antigamente.

Perdemos a invencibilidade, mas ainda somos líder. Temos ainda quatro pontos à frente do segundo colocado: o Náutico. Até terminar a rodada é assim que estaremos. O que mais doeu não foi o fato de não sermos mais o único invicto e tampouco o péssimo futebol apresentado. O que doeu de fato foi o coice que levamos do jumento. Aí sim, doeu bastante.

É hora do show!

Holofotes montados, palco preparado, ingressos esgotados e fãs esperando o começo do espetáculo. O Sport está sendo esperado por todos em Serra Talhada como se aguarda uma celebridade.

Conversava com um amigo que mora na cidade de Exu, sertão pernambucano, e ele falou que três ônibus estão lotados pra seguirem até Serra Talhada.

Torcedores de Ouricuri, Bodocó e outras cidades mais próximas estão se movimentando pra prestigiarem o Leão da Ilha e demonstrarem o seu amor pelo time rubro-negro. Nem Ivete Sangalo movimentou tanta gente naquela região quanto o glorioso.

Acho o Serrano o time mais perigoso do interior; bem organizado e tem uma boa equipe. Tudo pra ser um excelente jogo. Partida a noite, temperatura amena, clima suficientemente favorável a um bom futebol.

O elenco rubro-negro vai completo, começa a demonstrar sua cara e isso está incomodando e muito as equipes adversárias. Que o Leão da Ilha corresponda a essa expectativa e que a torcida cante num único som: “E vai rolar a festa…”.

Alalaô, mas que calor ô ô ô

“Atravessando o deserto do Saara, o sol estava quente e queimou a nossa cara…”, curtindo a ressaca do carnaval, a marchinha carnavalesca lembrou um pouco o jogo do Sport contra o Salgueiro no sertão pernambucano.

A temperatura estava muito alta e o feitiço virou contra o feiticeiro, pois o time do Salgueiro pareceu sentir mais o calor do que o próprio time do Sport. E olhe que o visitante era o Leão da Ilha, o Carcará do sertão, mandante do jogo, teoricamente não sentiria tanto. Só teoricamente.

Foi um jogo fácil, apesar de termos saído atrás do placar, foi um jogo fácil. Esperava mais dificuldades por parte do Salgueiro, mas não foi isso que encontramos. Fizemos três gols e perdemos no mínimo uns quatro, e sem exagero. Luciano, goleiro adversário, tentou por diversas vezes tentar baixar a temperatura do Sport fazendo excelentes defesas. Só que baixar a temperatura naquele jogo, não dava mesmo. Estavam a mais de trinta e cinco graus!

Quente mesmo estava Romerito, ele mostrou que ao lado de Luciano Henrique ainda vai ‘esquentar’ e muito a cabeça dos times adversários. ‘Meio frio’ estava Carlinhos Bala, esse ainda precisa ‘aquecer’ um pouco mais. Luizinho Netto estava ‘morno’ até sentir a temperatura aumentar e esquentar de vez, mostrando o seu bom futebol sendo fundamental na vitória do time rubro-negro.

Sem ducha fria, o Sport segue firme e forte na caminhada rumo ao Tri-pernambucano. Já que estávamos falando de calor, o negócio agora esquentou de vez. E garanto uma coisa: não tenho medo de queimar minha língua, o turno é nosso e ninguém tira!

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