Raça rubro-negra - Quem foi Ely do Amparo?
Ely do Amparo era volante, começou sua carreira no América do Rio, de onde se transferiu para o Canto do Rio e posteriormente para o Vasco da Gama. Jogando pelo Vasco, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira, onde se sagrou vice-campeão mundial na Copa de 1950 e campeão panamericano de 1952.
Em 1955, foi contratado a peso de ouro pelo então presidente Adelmar da Costa Carvalho para defender a camisa rubro-negra, no ano em que o Sport comemorava o seu cinquentenário.
Neste ano, registrou-se em Pernambuco um dos campeonatos mais disputados de sua história, e foi Ely do Amparo quem protagonizou um dos episódios mais marcantes para a torcida rubro-negra.
Decorrido todo o campeonato, Sport e Náutico qualificaram-se para decidir o título numa melhor-de-três, decisão comum na época. Após vencer a primeira partida por 2 a 0 na Ilha do Retiro, o Sport foi ao Aflitos e empatou com o Náutico, ficando o placar em 0 a 0. Nesta segunda partida, Ely do Amparo transformara-se em herói do campeonato. Depois de uma disputa pelo alto, de cabeça, com Ivanildo, o jogador leonino sofreu um corte no supercílio, inundando seu rosto de sangue. O médico do Sport pediu a sua substituição, mas Ely se recusou a deixar o campo e com uma faixa enrolada na cabeça foi até o fim do jogo, defendendo bolas de cabeça e levando a torcida rubro-negra ao delírio.
Na partida decisiva, marcada para o Aflitos, o Sport jogaria pelo empate. O volante Ely, mesmo sem condições de jogo, pois o corte no seu supercílio continuava aberto, fez questão de disputar a partida. Quando a partida estava empatada em 1×1, ele foi novamente atingido por Ivanildo, só que desta vez, fora covardemente agredido por uma cotovelada. Seu sangue lhe escorria a testa. Ao sair de campo para ser atendido, o Náutico por intermédio do mesmo Ivanildo, desempatava a partida. Ely então volta a campo com a cabeça enfaixada como uma fera ferida, prometendo a todos a vitória. O Sport empata novamente por intermédio de Traçaia. O resultado de 2×2 dava o título ao Leão. Assim o Náutico partiu com tudo para tentar a vitória. Ely do Amparo agigantou-se. Tirava tudo. Quando a bola vinha pelo alto ele enfiava a cabeça, ensopando de sangue a faixa de curativo. E num desses cortes, ele avançou e viu Naninho livre. Então deu um passe milimétrico, que o mesmo apelidou de “o passe da fúria” nos pés de nosso centroavante que esperou a saída do goleiro e marcou o gol da vitória. Ao final da partida, Ely saiu de campo carregado pela torcida, em reconhecimento à sua garra ostentando a camisa rubro-negra.
Mais tarde, Ely se aposentaria jogando pelo Sport, e até hoje é lembrado com um exemplo de raça rubro-negra.
Esperamos que esta mesma raça esteja no coração de cada rubro-negro no próximo Sábado, e que do começo ao fim daquela tarde não nos falte esforço para gritar ou defender as cores vermelha e preta. Pois a raça sempre foi uma obrigação no Sport, seja pela força que a nossa camisa transmite, ou pela história e tradição que jogadores como o Ely construíram.
E mais uma vez, peço paz a todos. Vamos fazer uma festa bonita, com balões e camisas rubro-negras. Mas vamos ter a consciência de que o mais importante é essa manifestação apaixonada. Todo clássico é imprevisível e é necessário estarmos preparados para tudo. O que não nos pode faltar é disposição para buscar a vitória. Pois é isso que há de mais belo no Sport e no futebol.
Muita paz. Um abraço e pelo Sport tudo!


