Sport S.A. em discussão

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O futebol profissional está de malas prontas, prestes a dar adeus ao Sport Club do Recife, às vésperas de uma data emblemática, quando o clube completará 100 anos de fundação. Provavelmente, a partir de abril, a bola passará a rolar em outra freguesia, na Sport S.A – empresa que será criada com uma única finalidade: administrar empresarialmente o futebol na Ilha do Retiro.

A transformação é um desejo antigo do presidente Luciano Caldas Bivar, eleito na quinta-feira para comandar o clube no biênio 2005/2006. Antes será preciso reformular o estatuto leonino, de 1975, que não prevê a possibilidade de o Sport ser transformado em uma sociedade anônima (S.A). Enquanto isso, a minuta (pré-projeto) de criação da S.A já está pronta para ser votada pelo novo Conselho Deliberativo do clube. A mudança promete gerar muita polêmica.

“O futebol profissional é ‘bico’ de aposentado. Esses diretores não têm planejamento, só querem o dinheiro do clube. Vamos tirar os amadores da gestão rubro-negra.” A afirmação do advogado Antônio Mário Pinto, da Veirano Advogados, responsável pela minuta de criação da Sport S.A, é o primeiro golpe de uma batalha que deve esquentar o clima das reuniões no Conselho Deliberativo do clube – onde será votada a proposta de abertura da empresa. “Só o Sport é prejudicado pela incompetência destes caras”, completouGadelha, coordenador do projeto da S.A.

Assim, com a criação da Sport S.A, restrita ao gerenciamento do futebol profissional, que movimentou este ano R$ 10 milhões, é de se esperar que os primeiros a darem adeus ao clube sejam os integrantes do departamento de futebol. Deste modo, toda a celeuma em torno da definição dos nomes que comporiam a chapa de Luciano Bivar foi em vão. “Este departamento é passageiro. Assim que a empresa for fechada, não haverá espaço para amadores. Lugar de diretor não é à beira do gramado”, comentou Harlan Gadelha. Os diretores que tocarão a bola no futebol rubro-negro serão escolhidos pelo Conselho Administrativo da companhia – formado por oito membros, representantes dos acionistas, segundo o artigo 10 da minuta. “Serão todos administradores, dedicados em tempo integral ao Leão”, completou. Eles trabalharão com o propósito de “dirigir e administrar os negócios da companhia”, como reza o artigo 19. O futebol será de responsabilidade exclusiva do departamento técnico. “Cada um terá sua função”, disse Antônio Mário.